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Porta-voz diz que Bolsonaro não vê motivos para uma greve de caminhoneiros

Por Estadão Conteúdo

 

O porta-voz da Presidência da República, general Rêgo Barros, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro não vê motivo para uma nova greve geral de caminhoneiros. Na semana passada, líderes dos autônomos, insatisfeitos com o pacote anunciado pelo governo federal e com o aumento de 10 centavos no preço do diesel, agendaram uma paralisação para o dia 29 de abril. Antes, eles esperavam por ações de Bolsonaro até 21 de maio.

 

“A expectativa do governo do presidente Jair Bolsonaro, que mantém diuturnamente canal de ligação aberto com a categoria, é de que não há motivos para essa paralisação”, disse Rêgo Barros. (mais…)

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Demanda de gasolina e etanol caiu 3,98 bi de litros em maio

Por Estadão Conteúdo

Dados publicados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e compilados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) mostram que a demanda de combustíveis do ciclo Otto (etanol hidratado + gasolina C) no mês de maio, em gasolina equivalente, foi de 3,98 bilhões de litros. “Este é o menor volume mensal nos últimos 5 anos, indicando a grave crise de abastecimento verificada na última semana de maio devido à greve dos caminhoneiros, além de assinalar sensível queda de 11,7% em relação a maio do ano passado. Com efeito, a retração no consumo de janeiro a maio de 2018 em comparação ao mesmo período de 2017 já atinge 3,65%”, disse a Unica em nota. (mais…)

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Refém de um único modal de transporte, o Brasil para com a greve

Uma única categoria profissional é capaz de parar o Brasil. De cortar o abastecimento de combustíveis, de alimentos, de remédios. De fechar hospitais, órgãos públicos, escolas e empresas. Uma única categoria é capaz de estabelecer o caos econômico e social em menos de 10 dias de paralisação. Grave. Gravíssimo!

 

Dependência absurda

A primeira grande lição da greve dos caminhoneiros é a de que o Brasil precisa rever sua matriz de transportes. Não é possível que um país continental como o nosso seja 99,9% dependente do transporte rodoviário.

 

Questão estratégica

O transporte de combustíveis, por exemplo, não pode ser uma quase exclusividade dos caminhões. A implantação de polidutos, como já defendia Dante de Oliveira há mais de 20 anos, precisa ser vista como uma necessidade estratégica, de segurança nacional, como bem demonstra a paralisação dos caminhoneiros.

 

Alternativa racional

Os polidutos idealizados por Dante de Oliveira, no caso de Mato Grosso, trariam diesel e gasolina das refinarias e levariam daqui o etanol (de cana e milho) e o biodiesel a um custo ínfimo, se comparado com os fretes e com o custo de manutenção das rodovias.

 

Modal da corrupção

O transporte ferroviário e hidroviário tem um custo até seis vezes menores que o rodoviário, que só se justifica pelo lobby do setor automotivo (incluindo não apenas a indústria de caminhões e automóveis, mas de auto peças, pneus, etc.), pelos esquemas de corrupção das grandes empreiteiras e pela cultura da propina dos políticos brasileiros.

 

Ilusão intelectual

A greve dos caminhoneiros tem motivação exclusivamente econômica e atende apenas e tão somente aos interesses da categoria. Basta ver a pauta de reivindicações. Mas muita gente defende a greve imaginando que o movimento pode trazer resultados políticos e econômicos para toda a sociedade.

 

Frete não cai

A redução do preço do diesel e de tarifas de pedágio para os caminhões, a implantação por meio de lei de um preço mínimo para o frete não vão derrubar o preço do etanol, da gasolina ou dos gêneros alimentícios. Tais medidas servirão apenas para aumentar a margem de lucro das transportadoras e dos caminhoneiros autônomos.

 

Sem viés político

A greve dos caminhoneiros também não servirá para derrubar o governo Temer ou para libertar Lula da prisão, como gostariam os “esquerdopatas”, muito menos para determinar um golpe militar – ou intervenção como defendem os apedeutas da neodireita brasileira. Não foi uma greve política, nem com motivações éticas.

 

Apedeutas e ressentidos

Obviamente que não faltam, nas redes sociais, quem se mostre disposto a exibir toda sua ignorância política, declarando apoio ao movimento dos caminhoneiros e pedindo, ao mesmo tempo, intervenção militar. Também sobram petistas ressentidos se regozijando do caos promovido pela paralisação.

 

A conta é nossa

O acordo fechado com os caminhoneiros terá um custo de R$ 9,5 bilhões aos cofres públicos, isto é, aos contribuintes brasileiros. O subsídio ao combustível utilizado pelos caminhoneiros pode até render demissões com a volta da cobrança integral dos encargos sociais sobre as folhas de pagamento.

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