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Nininho sugere atrasar salários para custear saúde

Marcos Lopes – ALMT

O fechamento da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal de Rondonópolis por falta de repasses por parte do Governo do Estado fez com que os deputados estaduais engrossassem o discurso na tribuna na manhã desta quarta-feira (8). Deputados da oposição e também da base aliada cobraram providências e que o secretário estadual de Saúde, Luiz Soares, compareça ao parlamento para prestar esclarecimentos.

 

Com base eleitoral em Rondonópolis, o deputado estadual Nininho (PSD) afirmou que o Governo do Estado precisa encontrar uma solução para o custeio da saúde, nem que isso implique em atrasar a folha de pagamento.

 

“Hoje sei que o Estado prioriza a folha de pagamento, mas de nada adianta se perdermos vidas. Não adianta pagar salário de alguns e deixar outros perderem a vida. Hoje tenho vergonha de representar Rondonópolis e saber que não podemos dar nem saúde de qualidade. Que bonito será a Caravana da Transformação na cidade e o hospital fechado porque não tem o mínimo para atender a população”, disparou Nininho.

Os atendimentos na UTI Neonatal de Rondonópolis teriam paralisado pela falta de pagamento de salário dos profissionais que trabalham na unidade de saúde. Conforme a deputada estadual Janaina Riva (PMDB), eles estariam há 4 meses sem receber pelos serviços prestados. “Dia 10 a equipe já avisou que vai deixar o município. Estão com o salário atrasado há 4 meses e o secretário sequer deu uma satisfação à Santa Casa”, disse.

 

“Isso nos preocupa, sabemos da dificuldade, da situação do país. Mas foi alertado que se não tivéssemos o mínimo de cautela iríamos chegar nesse caos. Tudo foi anunciado e hoje estamos nos deparando com essa situação inadmissível”, pontuou Nininho.

 

O parlamentar elogiou o secretário Luiz Soares por sua história na área, mas ponderou que se o gestor da pasta não tem autonomia, vira “mera figura que vai manchar a história e sair como incompetente, como quem não deu conta”.

 

“O Luiz veio para fazer. É preciso ter uma repactuação de valores na saúde. Unidades recebendo além do devido. Isso é falta de planejamento. Já se passaram três anos e só agora está sendo corrigido. É preciso haver esse diálogo hospital por hospital para reduzir o valor dos procedimentos. Precisamos da contribuição de todos para que possa fazer ações e atenda todos a contento”, complementou.

 

Conforme Nininho, Rondonópolis atende a 19 municípios da região Sul, o que representa aproximadamente 600 mil habitantes.

 

Também representante do município de Rondonópolis, o deputado estadual Sebastião Rezende (PSC) pediu que o governador em exercício, Carlos Fávaro (PSD) se reúna com a direção da Santa Casa de Misericórdia de Rondonópolis para encontrar uma solução para o problema. “Precisamos resolver com urgência, vidas seguramente podem ser perdidas se não tivermos o restabelecimento dessas UTIs funcionando”, alertou Rezende.

 

Repactuação

 

Para Nininho, o Estado já deveria ter realizado uma repactuação dos valores pagos às unidades de saúde. “Tivemos três anos para repactuar essa saúde que vinha gastando mal. Em Colíder, o hospital vinha recebendo R$ 3,8 milhões para cuidar de 7 municípios. Indaguei o diretor de lá e disse que com R$ 2 milhões ele faria o serviço e ainda melhor. Ele disse que com R$ 2,5 milhões fazia, se gastou três anos errado”.

 

O parlamentar ainda usou para exemplificar sua teoria os gastos do Hospital Regional de Água Boa, responsável pelo atendimento de 11 municípios. “É considerado referência hoje e recebe R$ 600 mil por mês. Por que Água Boa faz saúde de qualidade com R$ 600 mil e o outro precisa de R$ 3,8 milhões?”.

 

“O governo precisa ter uma atitude. Tinha que ter vindo desde o primeiro secretário, não é só o Luiz Soares agora não. Foi malgasto, não houve planejamento e agora estamos pagando o preço. Faço pouco uso da tribuna, sou da base para ajudar, mas quando chega ao extremo, não podemos mais ficar calados. Uma coisa é obra que não acontece, outra é o ser humano que não tem condição de pagar pela saúde particular e perde a vida”, disparou.

 

O líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado estadual Dilmar Dal’Bosco (DEM) ponderou que o atual Governo herdou o Estado em situação delicada. “Tivemos uma intervenção politiqueira nos regionais e pegamos o estado devendo 14 meses de repasse aos municípios, 6 meses aos regionais. Assumimos a viúva e temos que cuidar dos filhos. São mais de R$ 300 milhões deixados para trás”, destacou.

 

O democrata ainda lembrou que houve diversas tentativas de encontrar dinheiro “novo” para a saúde, como pegar parcela do Fethab dos municípios e também do Fethab 2, mas nenhuma delas foi aprovada. A esperança é que a emenda de bancada, no valor aproximado de R$ 120 milhões, prevista para dezembro, traga fôlego para o Estado.

 

Medida emergencial

 

Diante da crise na saúde, o governador em exercício, Carlos Fávaro (PSD), fez aporte emergencial de R$ 30 milhões para a saúde, com a promessa de remeter outros R$ 20 milhões até a próxima sexta-feira (10).

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