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Dois anos depois de tomar posse, Jader Barbalho faz primeiro discurso

Plenário do SenadoPor Gabriela Guerreiro 

BRASÍLIA, DF, (Folhapress) – Quase dois anos depois de assumir o mandato, o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) quebrou hoje o “jejum” e fez seu primeiro discurso no plenário do Senado. Barrado pela Lei da Ficha Limpa em 2010 e condenado pela Justiça a devolver R$ 2,2 milhões por apropriação de verbas públicas, o peemedebista disse que vai mudar de postura como parlamentar.

“Hoje encerro meu jejum aqui para participar ativamente, e com muita alegria, do debate com os senadores e senadoras que integram o Senado do meu país. Passei aqui seis anos e meio como líder da grande bancada do PMDB nesta Casa. Acho que talvez, por ter falado demais e por ter atritado demais, eu acabei tendo que deixar a Casa.

Graças a benevolência do povo do Pará, eu aqui estou de volta”, afirmou.

A mudança de postura de Jader ocorre em meio às articulações do senador para lançar seu filho, Elder Barbalho (PMDB), a candidato ao governo do Pará. O parlamentar negocia o apoio da presidente Dilma Rousseff ao seu filho, mesmo diante da resistência de setores do PT à aliança com o senador.

Em discurso de cinco minutos, Jader disse que nos quase dois anos em que está no Senado está “aprendendo” com os colegas oradores.

Ao falar sobre a medida provisória que cria o programa Mais Médicos, do governo federal, o peemedebista fez críticas à principal bandeira eleitoral da presidente Dilma Rousseff.

“Quero cumprimentar o governo por essa medida de caráter emergencial, mas nada além do que isso. Que isso não sirva de propaganda porque a opinião pública não é tola de imaginar que esse programa vai encontrar caminhos seguros para que a saúde pública no Brasil seja resolvida”, afirmou.

Jader fez um rápido histórico de sua atuação no governo e no Congresso ao lembrar que, como ministro da Previdência em 1988, ajudou a implementar o atual SUS (Sistema Único de Saúde). “Na minha história de vida pública, onde se vão 47 anos do meu primeiro mandato como vereador na capital do meu Estado, tive a honra e o privilégio, enfrentando a própria máquina do governo, o [extinto] INAMPS [Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social], na minha gestão como ministro da Previdência em 1988, a promulgação da Constituição que se começou a implantar o sistema SUS”, disse.

Também criticou a contratação de médicos sem que, como contrapartida, os municípios tenham melhores condições financeiras.

“A clientela vai ser a mesma, e de forma reiterada, sem que ele consiga resolver o problema grave que é relativo aos problemas da pobreza”, afirmou.

 

Sumiço 

Desde que tomou posse, Jader tem restrita participação como senador. Acompanhou algumas votações em plenário, mas se ausentou de diversas discussões na Casa. Não circula pelos corredores do Senado e não faz discursos, nem nas comissões permanentes do Senado.

Jader também evita a imprensa. Não concede entrevistas e se manifesta sobre temas do Legislativo por intermédio de assessores.

O peemedebista foi eleito ao Senado em 2010 com 1,7 milhão de votos, mas acabou barrado pela Lei da Ficha Limpa por ter renunciado ao cargo de senador em 2011. Conseguiu retornar ao Senado em dezembro de 2011 depois de um impasse em julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) –que terminou empatado por 5 votos a 5, mantendo sua inelegibilidade.

Após pressão do PMDB, o presidente do STF na época, Cezar Peluso, usou o regimento do tribunal e fez sua posição valer duas vezes com o chamado “voto de qualidade” em favor do senador.

Este ano, a Justiça Federal no Tocantins condenou o peemedebista, em primeira instância, a ressarcir a União em R$ 2,2 milhões por “ter ilicitamente se apropriado de verbas públicas federais” da antiga Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia). O senador recorreu da decisão.

Na sentença, o magistrado afirma que a verba repassada pela Sudam deveria ter sido aplicada num projeto de produção e beneficiamento de arroz e milho da Imperador, mas foi “desviada” pela empresa e pelo senador.

A ação civil pública foi ajuizada em 2007 pelo MPF (Ministério Público Federal) no Tocantins.

 

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