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Promotor diz que PMs foram feridos por “fogo amigo” no Carandiru

SÃO PAULO, SP, (Folhapress) – Terminou às 13h45 a primeira parte do debate entre defesa e acusação no julgamento do caso Carandiru. Hoje é o último dia do júri que vai sentenciar 25 policiais militares acusados de matar 52 presos no segundo andar do pavilhão 9 do presídio. 

Único a falar, o promotor Fernando Pereira Silva apontou que não haviam provas de que os policiais feridos na ação foram atingidos pelos presos. Com uma fita métrica que marcava os três metros de largura do corredor do andar, por onde os policiais passaram atirando, ele indicou que os tiros dados por rajadas de metralhadoras podem ter ricocheteado e atingido os próprios PMs.

“Foi fogo amigo”, disse ele, que ressaltou que um policial que participou da ação viu um colega ser atingido pelo tiro de um sargento.

Silva também exibiu por três horas projeções e documentos que comprovam, segundo ele, a existência de um massacre, naquele 2 de outubro de 1992. O promotor afirmou aos jurados que 45 das 52 vítimas que teriam sido mortas pelos policiais julgados levaram três ou mais disparos e 47 tinham ferimentos na cabeça e no pescoço.

“Será que [o episódio] aconteceu do jeito que eles falaram ou será que eles mentiram?”

Ele mostrou ainda 18 imagens de laudos do IML (Instituto Médico Legal) que mostravam que presos foram atingidos pelas costas, à queima roupa, por disparos em trajetórias diferentes e enquanto estavam ajoelhados ou deitados.

O promotor complementou a tese dizendo que as 13 armas que os PMs dizem ter encontrado com os presos no dia foram “colocadas para livrar a cara dos PMs”. Os indícios disso, disse ele, é que laudos mostraram que as armas não tinham sinais de que haviam sido molhadas, o que era impossível na situação, já que os corredores apresentavam uma camada de água que chegava a 10 centímetros, de acordo com os próprios policiais.

“Os PMs disseram que entraram em um corredor escuro, de visibilidade mínima, com fumaça. E nessas condições conseguiram encontrar 13 armas de fogo?”, questionou o promotor.

Silva encerrou sua parte do debate pedindo para que os jurados “deem uma resposta” à sociedade e aos organismos internacionais que pedem que o massacre seja punido e citou uma declaração do advogado Ariel de Castro Alves, após o resultado do primeiro julgamento, onde 23 PMs foram condenados a 156 anos de prisão.

“A sentença tem efeitos pedagógicos […] uma importante lição a setores minoritários da polícia que se pauta pela violência […] que humilha e mata jovens pobres na periferia” e completou que, no futuro, “qualquer um de nós ou de nossos familiares pode ser assassinado e se fabricar provas contrárias [ao assassinato]”.

A próxima a explanar será a advogada Ieda Ribeiro de Souza. A sentença deve sair na madrugada de sábado.

 

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