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Unemat em Diamantino atendeu o clamor de prefeitos da região

A compra do prédio onde funcionava a União de Ensino Superior de Diamantino (Uned), de propriedade da família do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, por parte da Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat), atendeu a um pedido feito por diversos prefeitos de municípios do entorno da cidade, que sofriam pela falta de acesso da população jovem carente à educação. A informação foi dada pelo presidente da Associação Matogrossense de Municípios (AMM), Neurilan Fraga (PSD), que à época era prefeito de Nortelândia e participou do movimento.

 

Conforme Fraga, como não tinham acesso direto ao então governador, Silval Barbosa, os prefeitos recorreram ao então presidente da Assembleia Legislativa, José Riva.

 

“Eu e vários prefeitos pedimos a Riva e outros deputados que intervissem pedindo a Silval que instalasse um campus da Unemat em Diamantino. Tinha a Uned que tinha um campus, instalações, alunos, acabou sendo interessante. A Unemat em Diamantino atenderia Nortelândia, Araguaia, Nobres, Rosário Oeste, Santo Afonso, Denise, Marilândia, todos municípios muito pobres. Alguns estudavam na Uned, mas tinham que pagar. O custo era alto e as famílias pobres não conseguiam manter seus filhos estudando. Observando o papel do Estado de garantir a Educação, pedimos uma unidade pública na nossa região”, lembrou Fraga.

 

 

O presidente da AMM lembra que os custos não eram somente com a mensalidade da faculdade, mas também com o transporte, já que vários alunos se deslocavam de outras cidades para Diamantino em busca da graduação.

 

 

“Quem pagava, passou a não pagar. Mesmo com deficiências, limitação de corpo docente, era melhor que uma instituição privada, pela dificuldade de acesso pela cobrança de mensalidade”, explanou Fraga, que lembrou que a instalação da Unemat no município garantiu o acesso dos jovens ao ensino superior.

 

 

Fraga lembra ainda que chegou, enquanto prefeito de Nortelândia, a ceder um prédio para que a Unemat levasse à cidade um curso tecnólogo, a fim de solucionar o problema de mão de obra especializada na cidade.

 

Polêmica

 

A compra da Uned pela Unemat é alvo de uma ação civil pública por improbidade administrativa proposta pelo Ministério Público Estadual contra o ex-governador Silval Barbosa, o deputado Adriano Silva, o ex-secretário de Administração Francisco Faiad, o ex-adjunto José Jesus Cordeiro e o ex-reitor financeiro da Unemat, Ariel Lopes Torres. Nenhum dos ex-donos da Uned está respondendo ao processo.

 

A estrutura foi adquirida pelo Governo do Estado por R$ 7,7 milhões no ano de 2013. De acordo com perícia realizada pelo próprio Ministério Público Estadual, o valor pago condiz com o praticado pelo mercado, ou seja, não houve superfaturamento.

 

O promotor argumenta que não houve planejamento para a instalação do campus em Diamantino, o que resultou na precariedade do quadro de docentes e na aceitação de alunos da Uned (incorporada pela Universidade Estadual), que não teriam prestado vestibular para ingresso na Unemat.

 

Além disso, Zappia afirma não ter havia planejamento financeiro para a abertura do campus em Diamantino. Também não foram respeitadas condicionantes apresentadas pelo Conselho Universitário da Unemat, como a aprovação e publicação de emenda constitucional que definisse o percentual de repasse orçamentário e financeiro para a Unemat e realização de concurso público para docentes.

 

O promotor ainda aponta irregularidade a abertura de crédito suplementar feita por Silval Barbosa para aquisição da Uned. Segundo o Ministério Público, Adriano, que era então reitor da Unemat à época, teria conquistado dividendos políticos com a iniciativa.

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