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Roraima terá maior controle de fronteira para ordenar fluxo de venezuelanos

Foto: Beto Barata/ABr

Por Estadão Conteúdo

 

 

Depois do anúncio de assinatura de uma medida provisória decretando uma espécie de “estado de emergência social” em Roraima, e a criação de uma coordenação nacional, comandada por um general, para orientar a realização de programações que permitam melhorar as condições, por conta da entrada dos milhares de venezuelanos no Estado, os ministros da Defesa, Raul Jungmann, do Gabinete de Segurança Constitucional (GSI), Sérgio Etchegoyen, e da Justiça, Torquato Jardim, detalharam, em entrevista nesta segunda-feira, 12, durante visita à Roraima, algumas das medidas a serem desencadeadas.

 

 

Além do comando da força tarefa conjunta, haverá aumento de 100 para 200 homens nos pelotões de fronteira em Roraima, com duplicação dos pontos de controle na fronteira, no interior do Estado e entre Pacaraima e Boa Vista. Haverá, também, desdobramento de um hospital de campanha em Pacaraima, para atender o fluxo inicial dos venezuelanos que estão entrando no País.

 

 

Novos centros de triagem serão instalados para ajudar na recepção dos venezuelanos, assim como estão sendo deslocadas motocicletas com equipes volantes para reforçar além dos postos de fronteira. No âmbito do Ministério da Justiça, 32 homens da Força Nacional que estão em Manaus serão deslocados para Roraima assim como oito caminhonetes serão levadas para ajudar no patrulhamento das cidades.

 

 

Haverá também repasse de recursos para auxílio ao Estado e aos municípios. O ministro da Justiça chegou a falar dos primeiros R$ 700 mil para a instalação de centros de referência e anunciou nova reunião conjunta em 14 de março, para tratar especificamente dos problemas com a população indígena na região atribuindo os entraves existentes a questões meramente ideológicas. Reiterou ainda que será iniciado um censo entre os venezuelanos.

 

 

Críticas políticas

 

 

Em sua fala, o ministro do GSI fez críticas indiretas ao governo venezuelano e aos governos anteriores do Brasil que apoiaram a atuação dos governos Nicolas Maduro e Hugo Chavez, que levaram à atual crise venezuelana.

 

 

Ao citar os problemas na Venezuela, que acabaram por resultar neste fuga em massa para o Brasil, o ministro Etchegoyen citou que “este êxodo social foi provocado por decisões ideológicas, que levaram ao desastre venezuelano”, lembrando que “boa parte destas posturas foi festejada até que chegássemos à tragédia que hoje vivemos”.

 

 

Já o ministro Jungmann fez questão de ressaltar a necessidade de distribuição dos venezuelanos pelo País, salientando que, embora a migração de venezuelanos ocorra geograficamente em Roraima, na verdade “este é um problema nacional, que apenas se dá pelo norte do País, por uma questão de fronteiras”. E emendou: “mas cabe ao Brasil abraçar e assumir as mesmas responsabilidades”.

 

 

O general Etchegoyen, por sua vez, apelou para que outros países que queiram ajudar os venezuelanos, aqui no Brasil ou na própria Venezuela, que o façam por meio do nosso país. “O Brasil oferece ajuda aos venezuelanos pela crise que eles enfrentam e abre-se para que outros países que queiram cooperar o façam por meio da gestão do Brasil”, declarou ele, citando que Canadá, Estados Unidos, União Europeia, e países da região já manifestaram desejo de cooperar de alguma maneira “para que nós possamos ajudá-los onde eles estão, lá mesmo na Venezuela”.

 

 

Distribuição

 

 

O presidente Michel Temer mencionou a possibilidade de enviar venezuelanos que entraram no Estado para o restante do Brasil. Segundo ele, a chamada “interiorização” poderia “diluir a entrada” dos imigrantes.

 

 

Embora não tenha mencionado no discurso desta segunda, o governo avalia desde a semana passada realocar cerca de mil venezuelanos pelos Estados de São Paulo, Paraná, Amazonas e Mato Grosso.

 

 

No discurso, Temer lembrou ainda que sempre falou, inclusive em discurso na ONU, que não vai proibir a entrada de estrangeiros refugiados no País. Ele afirmou que o governo vai trabalhar para “ordenar” a entrada dos imigrantes. Para isso, o presidente anunciou nesta segunda que criará uma coordenação federal em conjunto com o Estado para tentar resolver a situação.

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