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Sob chuva, quadra da Mancha Verde é tomada por torcedores

Por Estadão Conteúdo/Agência Brasil

 

Mesmo sob chuva, uma hora após o resultado da vitória, a quadra da Mancha Verde, na região da Ponte da Pompeia, zona oeste de São Paulo, já estava tomada de torcedores. Grupos de amigos, famílias com crianças e casais chegavam no fim da tarde à quadra da agremiação para comemorar o título inédito da escola do Palmeiras.

 

Os vencedores tremulavam bandeiras do Palmeiras enquanto no palco a bateria tocava o samba-enredo da agremiação: “Oxalá, Salve a Princesa! A Saga de uma Guerreira Negra”. Na composição, a escola exalta símbolos das origens africanas, citando maracatu, Iemanjá e Zumbi dos Palmares.

 

Envolta em uma bandeira da Mancha Verde, a palmeirense “roxa” Maria Luíza Ribeiro, de 3 anos, dançava no colo da mãe, a farmacêutica Carla Ribeiro, 33, na porta da quadra da escola. As duas saíram para respirar um pouco.

 

“Viemos cedo e vamos ficar pouco por causa dela”, disse Carla, que saiu da zona leste, onde mora, com o marido palmeirense, para comemorar o título da agremiação.

 

Apesar de ser corintiana, Carla celebrava na quadra da Mancha a vitória do time rival: “A Mancha mereceu. O desfile estava mais bonito, as fantasias bem acabadas, uma comissão de frente lindíssima. A Gaviões foi muito apelativa. Satanás vencer Cristo na comissão de frente foi inversão da história. Não precisa disso para vencer o carnaval.”

 

Primeira vez

 

Pela primeira vez, a Mancha Verde é a grande campeã do Grupo Especial do carnaval de São Paulo de 2019. A escola apresentou, no Sambódromo do Anhembi, o enredo Oxalá, Salve a Princesa! A Saga de uma Guerreira Negra, que retratou a beleza e a riqueza da África, mostrando o tráfico negreiro, que trouxe milhões de pessoas escravizadas para o Brasil. A princesa homenageada foi Aqualtune, avó de Zumbi dos Palmares, herói da resistência negra brasileira.

 

Jorge Freitas, carnavalesco da escola, disse que o resultado positivo chegou após muita dedicação em equipe.

 

“A gente trabalhou muito, ficamos tentando por muito tempo. Sempre batemos na trave, a gente nunca cansou. Passamos por cima de tudo. A gente se uniu, corrigiu nossos erros. Dinheiro não ganha carnaval, o que ganha é trabalho”, afirmou.

 

“Foi muito trabalho, muita união. O dinheiro sempre ajuda, mas o ser humano tem que ser valorizado, foi um conjunto. Estamos muito felizes, vamos comemorar a noite inteira”, disse Marcos Gonçalves da Silva, diretor de harmonia.

 

Integrantes da escola Dragões da Real, que conquistou o segundo lugar, também comemoraram muito e se mostraram satisfeitos com o resultado.

 

“O diferencial da Dragões é que somos uma escola leve, feliz. Que desfila para fazer o espetáculo para todo mundo, sem nenhum compromisso de vitória. Uma hora ela vai chegar”, disse o presidente da escola, Renato Remondini.

 

Quatorze escolas de samba desfilaram pelo grupo especial de São Paulo na última sexta-feira (1º) e no último sábado (2). Foram rebaixadas, neste ano, as escolas Tucuruvi e Vai-Vai, que disputarão no Grupo de Acesso em 2020.

 

Neste ano, a Liga das Escolas de Samba de São Paulo implementou algumas mudanças. Uma delas foi a pontuação. Em vez de usar notas em décimos de 8.0 a 10, os jurados trabalharam com os décimos entre 9.0 e 10, o que deixou a disputa entre as escolas ainda mais acirrada.

 

A campeã e as outras quatro escolas mais bem colocadas vão participar do desfile das campeãs na sexta-feira (8).

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